“Transformação Digital hoje é pouco. Planeje a Transformação Cognitiva da sua empresa”

“I, Robot” vai se materializando a cada semana

“2035, Chicago”: essa é a “localização” do filme “I, Robot”, lançado em 2004 e que propõe uma visão algo distópica sobre a relação entre robôs e humanos. Will Smith interpreta o detetive Del Spooner, o qual desconfia das intenções dos robôs com “consciência”.

Mas a ideia desse texto não é gerar um spoiler sobre o filme, mas apenas recuperar um dos diálogos mais memoráveis entre Spooner e o robô chamado Sonny, no qual Spooner desafia a capacidade dos robôs de criar ou desenvolver algo inovador ou com alma (https://youtu.be/siHfHUm3HGE?si=tu57pqD9F8qs7fCP&t=98).

Ele inclusive pergunta: “Você pode criar uma sinfonia? Você pode transformar uma tela em uma bela pintura?”. A resposta de Sonny é através de outra pergunta retórica: “E você pode?”.

Pese o fato que a IA Generativa já crie textos, músicas e imagens, melhor que a grande maioria dos humanos, ainda defendemos nossa reserva de mercado com argumentos como “mas o GPT só responde ao que nós perguntamos, usa o que todo mundo posta na internet, mas não tem ideias originais”.

Bom, esse argumento deu uma envelhecida no dia 13 de Agosto, com a publicação do texto “The AI Scientist: Towards Fully Automated Open-Ended Scientific Discovery”, feito pela empresa Sanaka.ai.

A Sakana AI é uma empresa de inteligência artificial sediada em Tóquio, Japão, que está revolucionando o campo da IA através de abordagens inspiradas na “natureza”. O nome “Sakana” significa “peixe” em japonês, e o logo da empresa reflete a ideia de um cardume de peixes que se movem juntos de forma coordenada, representando a aplicação de inteligência coletiva e algoritmos evolutivos em seus projetos. A Sakana AI busca desenvolver modelos de fundação que possam evoluir e se adaptar a diferentes domínios de aplicação, similar ao processo de seleção natural, onde as melhores “combinações” de algoritmos sobrevivem e prosperam.

Um dos projetos mais inovadores da empresa é o “The AI Scientist”, uma IA capaz de conduzir pesquisas científicas de ponta a ponta de forma autônoma, gerando ideias, realizando experimentos, escrevendo e revisando artigos científicos. Esse projeto pode potencialmente acelerar de maneira significativa a descoberta científica, superando limitações humanas como a necessidade de descanso e alimentação

O texto publicado apresenta uma ideia que, se fosse um filme, teria o mesmo impacto de um grande plot twist no final: é uma estrutura completa para automatizar completamente a descoberta científica. Em vez de ser apenas uma ferramenta que auxilia os cientistas em tarefas isoladas, como os modelos anteriores, o “The AI Scientist” pode fazer todo o trabalho: gerar ideias, conduzir experimentos, escrever artigos, revisar esses artigos e até refinar suas próprias descobertas — tudo sem a intervenção humana e a um custo reduzido.

Na minha perspectiva leigo-amadora, eu entendo que há de fato uma automação “completa”: o “The AI Scientist” não só pensa como um cientista, mas também age como um. Ele gera ideias, busca referências, planeja e executa experimentos, analisa dados, escreve e revisa manuscritos, tudo de forma autônoma.

E é o poder de “revisão” que me fascinou, pois demonstra um poder de se auto-melhorar . Os artigos gerados podem ser avaliados como se fossem escritos por cientistas humanos, apesar de ser feito por um agente baseado em LLM, mas que alcança uma performance quase humana na avaliação da qualidade dos trabalhos.

Imagine o quanto essa inovação poderá acelerar drasticamente as descobertas científicas e tornar a pesquisa mais acessível, reduzindo os custos e democratizando o acesso ao que há de melhor na ciência. É claro que, como todo grande avanço, levanta questões éticas, especialmente sobre o risco de uso indevido e o impacto no processo de revisão por pares, mas convenhamos que é “alucinante” (contém ironia na palavra).

Trago uma analogia bobinha, apenas para manifestar o poder disso: pense no “The AI Scientist” como um chef robô que, em vez de apenas cortar os ingredientes ou seguir uma receita predefinida, decide o menu, escolhe os ingredientes, cozinha, prova a comida e ainda manda o prato para avaliação no guia Michelin — tudo isso sozinho! E o mais impressionante? Esse chef robô faz tudo isso em um ciclo infinito de aprendizado e melhoria.

Este artigo é um marco, pois não se trata apenas de automatizar tarefas isoladas, mas de potencialmente transformar toda a forma como a ciência é feita. Em um futuro próximo, podemos ver a ciência sendo conduzida por uma combinação de mentes humanas e inteligência artificial, cada uma contribuindo com seus pontos fortes para a descoberta e inovação.

Ok, vamos retomar então o argumento do filme “Eu, Robô”, trazendo o mesmo diálogo entre Spooner e Sonny, mas com esse novo contexto descrito acima. Imagine um Spooner ainda cético sobre a IA, sendo apresentado a esse artigo.

Ele, com aquele olhar desconfiado, abriria o texto e, logo de cara, diria algo como: “Então agora esses computadores acham que podem ser cientistas? Qual é o próximo passo, robôs filosofando sobre o sentido da vida?”

O mais irônico é que a premissa de Spooner foi completamente virada do avesso. Enquanto ele duvidava que robôs pudessem inovar ou criar algo com “alma”, este artigo está justamente defendendo que a IA pode gerar novas ideias científicas, fazer experimentos, escrever artigos e até revisar seus próprios trabalhos!

Em outras palavras, se a IA Scientist encontrasse Spooner, ela poderia responder: “Posso não pintar quadros, mas posso revolucionar o campo da ciência com menos de 15 dólares por artigo científico. E você pode?”

Spooner não se dobraria fácil e seguiria argumentando que robôs não têm alma, não têm a capacidade de sentir, criar por inspiração. Mas o que ele diria ao ver uma IA que, de forma completamente autônoma, gera ideias originais, planeja experimentos e escreve papers inteiros? Ele ficaria de queixo caído ao descobrir que essa IA não só produz conteúdo inovador, mas o faz em um looping de descoberta contínua, aperfeiçoando-se a cada iteração.

Spooner lançaria então a cartada final, trazendo questões de cunho éticas: “Sim, mas onde está a humanidade nisso? Onde está a emoção, o erro, a dúvida?” E é aqui que a coisa fica interessante. O artigo admite que o “The AI Scientist” ainda tem suas falhas—erros de implementação, interpretações excessivamente positivas dos resultados, até mesmo alucinações de dados.

Spooner poderia esboçar até um sorriso de vitória, mas receberia uma resposta de Sonny: “Essas falhas não são diferentes das que os humanos fazem, Del. Apenas as corrijo em um ciclo infinito e a um custo muito menor. E você pode?”

No final das contas, se “Eu, Robô” nos ensinou algo, é que, assim como Sonny, o “The AI Scientist” está pronto para desafiar as expectativas. Ele pode não pintar quadros ou compor sinfonias, mas ele está, sem dúvida, pintando um futuro onde a IA não só participa da ciência—ela lidera. E se isso não for uma bela sinfonia para os ouvidos dos futuristas, o que mais seria?

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