“Transformação Digital hoje é pouco. Planeje a Transformação Cognitiva da sua empresa”

Kodak Pharmaceuticals não é surpresa, mas deveria ser inspiração

No mundo dos negócios, o “Momento Kodak” ficou conhecido como aquele momento em que você tem que se reinventar rápido, para sobreviver. Isso leva muitas vezes a sacrificar seu negócio e seus lucros atuais, em um processo de destruição criativa ou obsolescência planejada.

O anúncio que o governo americano irá financiar a criação da “Kodak Pharmaceuticals” nos surpreendeu a todos, mas não deveria. O excelente artigo da Fortune (https://fortune.com/2020/07/29/kodak-pharmaceuticals-loan-stock-fujifilm/) aborda justamente o ponto de que essa reinvenção e “pivoting” foi feito pela Fujifilm há quase 10 anos, quando o mercado de filmes coloridos atingiu seu pico (Março, 2011).

Naquele momento, a Fuji entendeu que detinha conhecimento sobre 3 processos críticos: oxidação e colágeno, imagem (incluindo raios X) e produtos químicos. A análise simples desses elementos porém um altíssimo nivel de coragem empresarial, levou a empresa a redirecionar seu business para “Healthcare”, atuando em imagens médicas, mas também Cosméticos e Produtos Farmacêuticos.

Em um artigo fantástico da Harvard Business Review (https://hbr.org/2016/07/kodaks-downfall-wasnt-about-technology) o autor Scott D. Anthony levanta a questão que a falência da Kodak não foi uma questão de tecnologia, mas sim de miopia empresarial. De fato, a Kodak tinha a tecnologia para produção de câmeras digitais e, inclusive, havia adquirido um aplicativo para compartilhar fotos. Esse domínio da tecnologia poderia tê-la levado a outros caminhos, ainda que o negócio original se parecesse muito ao da Fuji, porém não foi o que ocorreu.

Essa história e esse anúncio são relevantes pois muitas empresas estão vivenciando seus “Momentos Kodak”, observando mudanças radicais nos modelos de negócio, dinâmicas de consumo e cadeias de abastecimento, porém sem a coragem ou a visão para a mudança. É a hora de se aproximar de Universidades, Think Tanks e do ambiente de startups, buscando ideias que possam destruir o seu negócio, para que o processo de inovação possa ser acelerado. Sem medo na sala do Board, mudanças agressivas como essa não acontecem!

Há muitos colegas de profissão que sugerem a seus clientes perguntarem a Consumidores ou Clientes coisas como “se a minha empresa não existisse mais amanhã, como você se sentiria? e o que você faria? “. Isso é outro erro clássico de Marketing. Compradores e Consumidores não são empreendedores, engenheiros ou visionários. Sim temos que usá-los, porém usando o elemento mais básico da metodologia ágil: levar protótipos e “interagir”, ajustando novos serviços, produtos e modelos de negócios para que seja barato errar.

É a hora de tirar uma selfie no espelho e pedir o mesmo a seus colaboradores, para emoldurar digitalmente com a mensagem “eu vou mudar a maneira como fazemos negócio nessa empresa”. Posso garantir que alguns não entenderão se você disser que é um “momento Kodak”, mas todos assumirão que é hora de se mexer.

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