“Transformação Digital hoje é pouco. Planeje a Transformação Cognitiva da sua empresa”

O futuro da Globalização, do Consumo… e o Brasil nisso tudo…

Nesse momento de tantas incertezas, há 3 perguntas que todos estamos nos fazendo:

1) Quanto da Globalização está em risco?

2) O que irá mudar no consumo, especialmente em função da adoção maciça da tecnologia?

3) Quais as maiores fortalezas e debilidades do Brasil para o futuro?

Ainda que cada assunto possibilite longas discussões e textos, acredito que há elementos relevantes a se destacar, que irão nortear o futuro.

Em relação à Globalização, tenho uma visão otimista. Neste momento, ainda estamos olhando apenas o lado obscuro da pandemia, porém alguns sinais interessantes de progresso acelerado já podem ser notados, no Brasil e no mundo.

A tecnologia, sempre disruptiva, tem gerado ganhos de produtividade em muitos setores e certamente irá redesenhar muitas cadeias de serviços e industriais, acelerando a recuperação econômica.

Uma das grandes oportunidades a se aproveitar é a reorganização das cadeiras de produção globais. É um consenso que elas deverão se tornar mais resilientes, talvez até em prejuízo da eficiência, e mais sustentáveis. Em um primeiro momento, podemos acreditar que a menor eficiência irá gerar mais custos e, portanto inflação de preços, porém esse pensamento não é de todo verdade, em função dos avanços tecnológicos que mais uma vez aparecerão.

Outro elemento absolutamente encorajador é a decisão da União Europeia de usar o Banco Europeu para comprar dívidas em nome de todo o bloco e centralizar o investimento desse valor. O fundo de US$750 bilhões está sendo avaliado como permanente, o que faria a União Europeia se transformar em uma “Federação Fiscal”, mais do que um mercado comum de comércio e trabalho. Isso se soma a outra decisão do governo alemão, de avançar com pacotes em direção a uma forma de “Renda Universal” para as camadas menos favorecidas. A social democracia, com responsabilidade fiscal e uma orientação mais keynesiana, para ser um eixo interesse de sustentação da Globalização no pós Covid.

Em relação a digitalização massiva dos consumidores, ainda que tenha sido “forçada” por um elemento externo, a considero de “boa qualidade”, pois avançou em vários aspectos: produtos (muito computador e até tablets vendidos, além dos onipresentes celulares), acesso (mais pessoas e com planos de maior banda) e hábitos (muito mais tempo na internet, tanto para informação como para compra).

Essa combinação desenvolveu um consumidor mais informado, que irá buscar mais elementos antes de decidir por uma compra, em especial em um cenário econômico particular: classes altas com maior disposição a poupar, classe média preocupada com emprego e renda, classes mais baixas com a possibilidade de seguir consumindo, apoiados pela “Renda Brasil” ou algo similar.

Resumo o comportamento futuro do consumidor como uma uma atitude “Paisa Vasool”, expressão indiana que poderia ser traduzida por “vale o que custa”, ou na busca de valor adicional em tudo o que se compra.

 Já em relação às empresas, acredito que haverá uma seleção natural em um primeiro momento, com muitas empresas quebrando ou perdendo ritmo. Isso é ruim em função dos empregos perdidos, mas também traz uma base mais competitiva para aproveitar 3 pontos importantes: 1) reformas estruturais que voltaram a pauta, 2) crescimento dos investimentos em dívidas corporativas vs dívida do governo, 3) digitalização acelerada e estimulada por alguns benefícios tributários e, talvez, pelas oportunidades que o 5G trará.

Digo “talvez”, porque as dificuldades de implantação são muitas, desde lobby contrário de alguns setores, discussões políticas, outras oportunidades de menor investimento (venda da Oi, etc) e o próprio custo que a tecnologia implica.

E em base a esse cenário temos o nosso Brasil, com seus problemas e vantagens intrínsecos.

Os que aqui fazemos negócios sabemos que somos um “pato”, em termos econômicos: não andamos, nadamos, nem voamos direito. Sendo mais específicos, somos mais caros e menos eficientes que países que concorrem conosco, seja no Sudeste Asiático, Leste Europeu ou mesmo América Latina. Nossa complexidade tributária e jurídica ímpar se reflete não apenas em custos, mas também em insegurança para investimentos, sendo pior que a maioria desses países em rankings divulgados por organismos internacionais ou empresas privadas (ex TMF).

 Ao mesmo tempo, não podemos negar que realmente nascemos em berço esplêndido, presenteados com nosso tamanho e nossa matriz energética favorável.

Em relação a tamanho, somos a 8º economia do mundo mas com o alto peso do consumo das famílias em nosso PIB, somos um dos 5 maiores países para grande parte das indústrias de consumo. Isso nos torna um mercado presente em qualquer estratégia global.

Já a nossa matriz energética é fantástica e pode ser insuperável, pois todas as energias “limpas” encontram aqui um paraíso (sol, vento, chuva e a biomassa).

Finalmente, nosso país é tão disfuncional na aplicação da riqueza gerada aqui, que o fato da elite econômica passar a aplicar em “produção” e não mais em “CDI” para remunerar seu capital, irá trazer um enorme benefício para o meio empresarial.

Enfim, veremos grandes discussões realmente estratégicas na sociedade global e local, com distintos atores e interesses, nos próximos meses. Estamos acostumados a pensar “o que o Governo fará sobre isso?”, mas a realidade é que o poder das Empresas e de uma Sociedade Civil mobilizada, com seus votos e impostos, é onde precisamos colocar nossa energia, se realmente queremos ter destaque na Nova Economia global.

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